sexta-feira, 8 de março de 2013

Violência gratuita


Nem sempre a vida é um mar de rosas… De facto, hídrica e botanicamente falando, pode mesmo por vezes ser uma cascata de cactos. Como tal, recentemente tive a minha dose ao atravessar uma experiência hospitalar. Apesar das situações menos positivas que sucedem no quotidiano devemos tentar sempre tirar algum proveito, alguma parte benéfica, alguma aprendizagem delas.
Algo que despertou a minha atenção aquando da estadia na unidade de saúde foi deparar-me que também lá estava, vítima de maus tratos, nem mais nem menos que, a língua portuguesa.

Foram diversas as ocasiões em que me cruzei com estas circunstâncias. Ou eram pessoas que iam ser submetidas a “cirugias”, ou eram “úrsulas” que apareciam nos estômagos, depois vinham os que se queixavam das “hemorródias” e dores no “pranquias”… Ah, e depois existem sempre aqueles casos extremos mas tradicionais dos “cancaros”. 
Enfim, toda uma panóplia de factores que exerciam o tão actualmente falado “bullying” sobre a língua de Camões.

O problema é que isto não acontece só com os termos hospitalares onde pode haver a tendência para se desculpar porque “ah e tal são palavras complicadas”…
Uma das questões que se coloca é: terá sido boa ideia, isto do novo acordo ortográfico?
“Há pexoas q axam k xim, outrax k n…”
É que não há ninguém que multe estas pessoas… agora há autoridades para tudo, mas ninguém anda em cima disto.
A parte boa é que depois de me deparar com estas situações deslocava-me até à sala de convívio onde podia ver as outras assistir ao “Você na TV” e assim refrescar a minha mente com um programa culturalmente enriquecedor…

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